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O que é a luz?

 

O que é a luz?  

Barry R. Masters 

Afiliação: Investigador independente, Cambridge,MA

Tão simples: Haja luz! E ainda assim tão complicado. Na verdade, o que é a luz?


Bibliografia e sugetões de leitura

“E Deus disse: “Haja luz”, e houve luz.” Génesis 1:3

 

“Para o resto da minha vida, vou refletir sobre o que é a luz.” Albert Einstein, 1917

 

“Estes 50 anos de reflexão não me fizeram ficar mais perto da resposta à questão: o que são os quanta de luz? É claro que hoje cada um pensa que sabe a resposta, mas está apenas a enganar-se a si mesmo.” Albert Einstein, 1951.

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Luces nórdicas, por Kshitijr96 [CC BY-SA 3.0 (http://creativecommons.org/licenses/by-sa/3.0)], via Wikimedia Commons.

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El ojo es un fotodetector. Fotografía de Woodwalker [CC  3.0 (http://creativecommons.org/licenses/by/3.0)], via Wikimedia Commons.

A luz é um pré-requisito para a vida, uma vez que é a melhor fonte de energia para os nossos alimentos. A luz é essencial à religião, às histórias sobre a criação, à poesia, à literatura, à língua e à cultura. Luz é a beleza atmosférica, do amanhecer até ao entardecer, o arco-íris, a aurora boreal e a aurora austral. A luz é necessária para a visão. Na verdade, as teorias da luz e da visão têm uma história de namoro complicado desde os filósofos gregos e árabes. A visão requer luz e dispositivos óticos, tais como óculos e lentes de contato, e a cirurgia refrativa com o laser pode melhorar a acuidade visual. A luz pode diagnosticar e tratar as doenças dos olhos. A interação da luz com os eletrões dos átomos ou das moléculas é a forma como é detetada. Isto é verdade quer para os fotorrecetores da nossa retina quer para os semicondutores que constituem os sensores (detetores) das nossas máquinas fotográficas digitais. As cores enriquecem o nosso meio ambiente, estimulam e encantam as pessoas de todo o mundo, e acrescentam beleza às nossas casas, às nossas cidades e às nossas vidas.

A luz do sol, da lua, e das estrelas, acrescentam beleza e admiração, beneficiando todos os povos da Terra. A luz é a base do nosso mundo moderno, e a sua produção, manipulação, transmissão e deteção, são parte integrante da nossa comunicação, produção, dispositivos médicos, arte, espetáculos de luz, instrumentação biotecnológica, programas educacionais, e instrumentação de laboratório que permite o avanço da ciência e da tecnologia. A luz é a fonte de informação sobre a criação do universo, nos processos foto-físicos das estrelas, e sobre a natureza universal das leis físicas em todo o universo. A luz, através da espectroscopia, conduziu ao nosso conhecimento teórico e experimental sobre a estrutura dos átomos e das moléculas. A luz e a sua interação com a matéria conduziram à invenção e ao desenvolvimento da mecânica quântica. A luz tem ocupado as mentes dos poetas, dos filósofos (a partir do século V AC), dos artistas, dos cientistas e dos engenheiros. Hoje, a luz conecta pessoas diferentes, de diferentes culturas e nações numa grande família, humana. A luz fascina, estimula e liga-nos. As crianças ficam maravilhadas quando se concentra a luz solar com uma lupa para acender uma fogueira. As pessoas espantam-se quando olham para um telescópio ou para um microscópio e veem o macrocosmos e o microcosmos.

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Izquierda: Diagrama de Lord Rose (1865) de la Galaxia Remolino vista con el telescopio del Castillo Birr (telescopio reflector de 1.8 m). Centro: Combinación digital (NASA / ESA 2005) de una imagen terrestre del telescopio de 0.9m del Observatorio Nacional Kitt Peak y una imagen del Telescopio Espacial Hubble. Derecha: Imagen de polvo infrarrojo de la Galaxia.

Historicamente, a luz pode ser compreendida como uma onda, uma partícula quântica e um campo quântico. Complicado? Sim! Na verdade, a pergunta “O que é a luz?” é muitas vezes adiada para a pergunta: “Como é que a luz se comporta?”. Mais especificamente, a questão “O que é a luz?” é muitas vezes substituída pela pergunta: “Como é que a luz se propaga e interage com a matéria?” Neste ensaio, pretendo apontar algumas das origens conceptuais mais importantes sobre a dualidade onda-corpúsculo e sobre as teorias da interação luz- matéria do início do século XX.

Irei discutir as contribuições de Albert Einstein para a nossa compreensão sobre a natureza da luz e as suas interações com a matéria. As teorias da relatividade de Einstein e a sua confirmação experimental tornaram-no popular em todo o mundo, contudo, as suas contribuições no campo da ótica têm transformado a nossa compreensão da luz, bem como a capacidade de manipulá-la numa ampla gama de aplicações em diversas áreas, onde se incluem, a medicina, as telecomunicações, a fotónica e a investigação experimental em física através dos condensados de Bose-Einstein. Os seus trabalhos sobre a emissão estimulada contribuíram para o desenvolvimento do laser, dispositivo que está a transformar o nosso mundo. As publicações de Einstein sobre a luz influenciaram tanto Louis de Broglie como Erwin Schrӧdinger e levaram à invenção da “mecânica ondulatória”. Einstein construiu a ponte entre a propagação da radiação no espaço e a interação matéria-radiação. Entre os anos de 1905 e 1916, Einstein explicou a interação entre a luz e a matéria através da absorção e da emissão de quanta de luz, explicando, assim, vários fenómenos físicos: o estado de fluorescência de Stokes, a ionização de gases por ação da luz ultravioleta, e o efeito fotoelétrico. No efeito fotoelétrico uma radiação com uma determinada frequência quando incide numa superfície metálica são ejetados eletrões. A hipótese de Einstein sobre a emissão estimulada é a base de funcionamento do laser.

As primeiras experiências sobre a interação luz-matéria

É simultaneamente interessante e instrutivo estudar os trabalhos que antecederam os de Einstein, sobre as interações luz-matéria. Em 1887, Heinrich Hertz, gerou, detetou, e caracterizou a propagação de ondas eletromagnéticas, observou que elétrodos iluminados por luz ultravioleta criavam “faíscas” com maior facilidade. O seu assistente Wilhelm Hallwachs confirmou e ampliou essa observação, em 1888, quando demonstrou que a radiação ultravioleta incidente em placas de metal fazia com que ficassem carregadas com carga positiva. Em 1899, Joseph J. Thomson estudou o efeito da radiação ultravioleta sobre a produção de “corpúsculos” (eletrões) numa placa de metal no interior de um tubo de Crookes. Thomson mediu uma corrente a partir da placa, que aumentava com a frequência e com intensidade da radiação. Foi o primeiro a afirmar numa publicação que a radiação ultravioleta incidente, resultava na emissão de eletrões. Em 1902, Philipp Lenard, que estava a trabalhar na Universidade de Kiel mostrou que a radiação de uma lâmpada de arco de carbono, com comprimentos de onda pequenos, incidente na superfície de um metal, provocava a emissão de eletrões. O número de eletrões ejetados aumentava com a intensidade da luz, mas não a sua energia cinética, e até uma determinada frequência da radiação não havia eletrões emitidos. Lenard também observou que o máximo da energia cinética dos eletrões emitidos era independente da intensidade da radiação incidente, mas aumentava com o aumento da frequência da radiação incidente. Mediu os efeitos de três diferentes frequências de luz ultravioleta sobre a emissão de eletrões por uma placa de alumínio.

Quantum de luz de Einstein

EEm 1905, Einstein publicou um trabalho inovador, “Sobre um ponto de vista heurístico relativo à geração e conversão da luz”, no qual deduzia, através da termodinâmica estatística de Boltzmann, que a entropia da radiação descrita pela lei da distribuição de Wien, tem a mesma forma que a entropia que um gás de partículas elementares ou quanta de energia, com cada quantum proporcional à frequência da onda correspondente. Einstein escreveu: “radiação monocromática de baixa densidade (dentro do intervalo de validade da fórmula para a radiação do corpo negro de Wien [válida para  / kT <<1]) /1hkT≫]) comporta-se em certo sentido termodinâmico, como se consistisse de quanta de radiação de intensidade [],”o símbolo h é a constante de Planck, k a constante de Boltzmann, T a temperatura em Kelvin, y νa frequência da luz. Além disso, “Quando um raio de luz se espalha a partir de uma fonte pontual, a energia não é distribuída de forma contínua ao longo de um volume crescente, mas consiste num número finito de quanta de energia que estão localizados em pontos do espaço, que se movem sem se dividirem, e que só podem ser absorvidos ou gerados como unidades inteiras ou completas.” Einstein, em alternativa usa a palavra quantum de energia (Energiequant) e quantum de luz (Lichtquant). Este conceito de energia descontínua para a propagação da radiação contradiz a teoria de Maxwell para a radiação eletromagnética. Uma década mais tarde, em 1916, Einstein discutia a dinâmica p=hν/c e a massa zero em repouso da sua luz quântica, na sua publicação: Emission and Absorption of Radiation in Quantum Theory, Deutsche Physikalische Gesellschaft. Verhandlungen 18, 318.

O fotão

O físico-químico americano Gilbert N. Lewis apresentou o termo “fotão” num artigo publicado na revista Nature em 1926. “Parece inadequado falar de uma dessas entidades hipotéticas como partícula de luz, corpúsculo de luz, ou quantum de luz, se quisermos assumir que demora apenas uma fração de minuto da sua existência como um portador de energia radiante, enquanto o resto do tempo permanece como um importante elemento estrutural dentro do átomo... Por isso, tomo a liberdade de propor para este novo e hipotético átomo, que não é luz, mas desempenha um papel essencial em todos os processos de radiação, o nome de fotão.” Depois de Lewis propor o termo “fotão”, em 1926, muitos físicos adotaram-no como o nome para o quantum de luz de Einstein. No entanto, a conceção de fotão de Lewis era completamente diferente da de Einstein. Como H. Kragh descobriu, o nome fotão, foi proposto por, pelo menos, quatro cientistas antes de 1926. O único vestígio do fotão de Lewis que permaneceu válido foi apenas o nome. Novas perspetivas históricas podem ser encontradas na publicação de Lamb’s (1995) – “Anti-photon”.

A hipótese do quantum de luz de Einstein explica o efeito fotoelétrico

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Albert Einstein 1921 por F Schmutzer. Dominio Público

Einstein aplicou o seu conceito de quantum de luz para explicar o efeito fotoelétrico que a teoria de onda de Maxwell não conseguia explicar. Einstein escreveu: “Se radiação monocromática se comporta… como se a radiação fosse um meio descontínuo que consiste num quanta de energia com magnitude , então parece razoável investigar se as leis que regem a emissão e transformação da luz também têm por base que a luz consiste nesse tipo de quanta de energia.”. Einstein assumiu que a luz interage com a matéria através da absorção ou emissão dos seus sugeridos quantum de luz e postulou um novo mecanismo para este fenómeno. Einstein descreveu a sua teoria sobre o efeito fotoelétrico, tal como se segue. Os quanta de luz penetram na camada superficial do material, e a sua energia é convertida em energia cinética dos eletrões. Um quantum de luz transfere toda a sua energia para um único eletrão. Einstein escreveu: “um eletrão no interior do material terá perdido parte da sua energia cinética até ao momento em que alcança a superfície”. Além disso, assumiu que o eletrão na superfície do metal deve executar trabalho, Φ, (uma função de cada material, chamada de função trabalho), para ultrapassar as forças de atração que o prendem ao material, a fim de deixar a superfície, e a energia cinética máxima desses eletrões é ΦEm notação moderna: eV=Φ, onde e é a carga do eletrão e V é o potencial de paragem. Esta é a primeira equação na teoria quântica das interações entre matéria-radiação. A confirmação do efeito fotoelétrico postulado por Einstein surgiu em 1912, quando Arthur L. Hughes mediu a velocidade máxima dos fotoeletrões para vários metais e verificou a equação fotoelétrica de Einstein.

A primeira confirmação da hipótese quântica, numa área da física que não a radiação, ocorreu em 1907 quando Einstein explicou e demonstrou que a quantificação da energia podia ser aplicada à matéria condensada. Einstein explicou a anómala dependência da temperatura dos calores específicos dos sólidos (isto é, diminuíam com temperaturas reduzidas) modelando um sólido como uma rede de osciladores quantificados. A formulação de Einstein estava em favorável concordância com os resultados experimentais obtidos em 1910 por Walther Nernst e o seu assistente Frederick A. Lindemann.

O prémio Nobel da Física atribuído a Einstein, em 1922, citou o seu artigo de 1905 sobre o efeito fotoelétrico: “pelos seus préstimos à física teórica e, especialmente, pela descoberta da lei do efeito fotoelétrico”. No momento em que Einstein desenvolveu a sua teoria sobre o efeito fotoelétrico, muitos dos físicos mais conhecidos do mundo, tais como Max Planck, Hendrik A. Lorentz, Max von Laue, Wilhelm Wien, e Arnold Sommerfeld não podiam aceitar a sua teoria quântica da luz, pois citavam a interferência da luz, que era consistente com os fenómenos ondulatórios. Planck e Lorentz aceitaram que a radiação interagia com a matéria num processo quantificado, mas rejeitaram o conceito de que os quanta de luz individuais se propagavam como uma onda. Uma exceção notável foi Johannes Stark, que em 1909 apoiou a hipótese de Einstein sobre o quantum de luz. O próprio Einstein percebeu que a sua hipótese precisaria de validação ou rejeição, experimental, e no congresso Solvay em 1911, afirmou: “Eu insisto no caráter provisório deste conceito [quanta de luz].” Em 1921, Maurice de Broglie, na terceira conferência Solvay em Bruxelas, referindo-se à análise do impacto dos raio-X sobre a matéria e as subsequentes ejeções de eletrões, referiu que poderiam ser explicadas assumindo os raios-X têm uma energia . O seu irmão, Louis de Broglie, leu os artigos de Einstein sobre a luz e seguindo o conceito de quanta de luz de Einstein resultou a sua teoria de “ondas de matéria”. Erwin Schrӧdinger aprofundou as considerações anteriores de Louis de Broglie na sua invenção de “onda mecânica”.

Ceticismo e a validação experimental para os quanta de luz de Einstein

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Condensado de Bose Einstein. Distribución de velocidades (3 vistas) para un gas de átomos de rubidio, confirmando el descubrimiento de una nueva fase de la materia, el condensado de Bose-Einstein. Izquierda: justo antes de la aparición de un condensado de Bose-Einstein. Centro: justo después de la aparición del condensado. A la derecha: después de más evaporación, dejando una muestra de condensado casi puro. NIST / JILA / CU-Boulder - NIST Imagen de dominio Público

Em 1916, Robert A. Millikan verificou experimentalmente e com grande precisão a teoria de Einstein sobre o efeito fotoelétrico, aprofundando as experiências anteriores de Lenard. Millikan mostrou que a energia cinética máxima dos eletrões ejetados era proporcional à frequência. Os seus gráficos do potencial de paragem em função da frequência da radiação incidente, para a fotoemissão, apresentavam a dependência linear prevista por Einstein, e para diferentes metais os valores de h eram iguais ao valor que Planck calculara no seu artigo de 1901. Millikan também mostrou que o número de fotoeletrões é proporcional à intensidade da radiação incidente. No entanto, rejeitou os quanta de luz de Einstein.

Só depois de 1923, quando Arthur Holly Compton e Peter Debye, independentemente, publicaram os seus trabalhos sobre o espalhamento de raios-X por eletrões com base na hipótese dos quanta de luz de Einstein, é que a comunidade de físicos aceitou o quantum de luz de Einstein. Compton estudou o espalhamento de raios-X e de raios-γ luz de Einstein. Compton estudou o espalhamento de raios-X e de raios-γ por elementos leves. A sua teoria de 1923 mostrou que a energia do quantum disperso era menor do que a do quantum incidente, e essa diferença consistia no aumento de energia cinética do eletrão. Compton desenvolveu uma equação que relacionou o aumento do comprimento de onda do feixe disperso com o ângulo θ entre los haces incidente y dispersado. entre o feixe incidente e o disperso. Um quantum de raio-X com frequência ν é disperso por um eletrão de massa m. Assumiu que o eletrão disperso estava inicialmente em repouso; após a colisão com o quantum de radiação, o eletrão recua. Ele assumiu a conservação de energia e do momento para o processo de dispersão/espalhamento, e deduziu a sua equação de dispersão para a mudança de comprimento de onda dos raios-X:

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CCompton validou a sua teoria com uma série de medições precisas e escreveu: “A bela concordância entre os valores teóricos e experimentais da dispersão é o mais impressionante... Não há uma única constante ajustável que ligue os dois conjuntos de valores.” Ele descobriu que o aumento do comprimento de onda é independente do comprimento de onda incidente. Compton, em seguida, concluiu: “A dispersão de raios-X é um fenómeno quântico.” Além disso, “...a teoria indica de uma forma muito convincente que um quantum de radiação carrega consigo momento, bem como energia."

Teoria da dualidade onda-partícula da luz de Einstein

sobre as flutuações de energia: “A presente situação do problema da radiação”. Einstein calculou as flutuações de energia e momento na sua análise do movimento browniano (1905), e aplicou esses métodos analíticos para a radiação do corpo negro. Generalizou a sua teoria, de 1905, sobre a flutuação dos sistemas mecânicos (partículas Brownianas) para a radiação do corpo negro não mecânico. Einstein investigou as flutuações de energia da radiação do corpo negro, que estava contido num volume parcial V Vde uma cavidade isotérmica à temperaturaT. Começando com a lei de distribuição do corpo negro de Planck, Einstein descreveu a variação das flutuações de energia como:

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onde < > representa a média estatística,, é la energia da radiação cuja frequência se encontra entre ν y ν+dν, e c é a velocidade da luz no vácuo. Esta equação é conhecida como a fórmula de Einstein para a flutuação da radiação do corpo negro. Ele fundamentou através da análise mecânica estatística que o primeiro termo do lado direito da igualdade se refere às propriedades do quantum de radiação. Este termo, linear em média de energia, encontra-se no limite das altas frequências para as quais a lei de Wien é válida. Einstein concluiu que a radiação, em particular as suas flutuações de energia, são consistentes com um gás de partículas independentes, ou seja, quanta de luz, cada um com energia . Fundamentou da análise dimensional que o segundo termo, o quadrado da energia média, resulta da interferência de ondas. Este termo é obtido no limite da radiação de baixa frequência. Einstein concebeu que a radiação no interior da cavidade é composta por muitos modos normais com diferentes amplitudes, fases e estados de polarização e que são propagados em várias direções. Ele sugeriu que as flutuações de qualquer volume parcial da cavidade poderiam surgir da interferência entre diferentes ondas planas. Em 1909, Einstein escreveu: “...a próxima fase na física teórica levar-nos-á a uma teoria onde a luz possa ser interpretada como uma espécie de fusão das teorias ondulatória e de emissão...”

Teoria da Emissão Estimulada de Einstein

Nove anos após Einstein conceber o quantum de luz, voltou ao problema da interação luz- matéria, especificamente, as transições entre os estados de energia dos átomos e o papel dos quanta de luz nesses processos. Em 1916, postulou a emissão estimulada ou induzida, no seu artigo “Emissão e absorção de radiação em Teoria Quântica." Este trabalho é notável pela sua introdução de uma abordagem probabilística para a física quântica. Continha os seus chamados “Coeficientes A e B”, e a sua previsão do processo de emissão induzida ou espontânea. Naquela época, o conceito de transições de energia nos átomos através da absorção ou emissão de quanta de luz não era comumente aceite pela comunidade física. A teoria do átomo de hidrogénio de Bohr não utilizava a ideia de fotão, na verdade, Bohr rejeitou esse conceito até o início dos anos 1920. De salientar que, mesmo Max Planck, que é considerado fundador da teoria quântica em 1900, não aceitou a realidade de quantização até 1913, quando Bohr quantificou os níveis de energia do átomo de hidrogénio..

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El primer laser de Rubi desarmado. 

Einstein argumentava que o campo de radiação podia causar perda ou ganho de energia nos átomos. Assumiu um processo com dois estados de energia para o átomo, um superior e outro inferior, e as transições entre os dois estados de energia, através de absorção ou emissão de um fotão de energia igual à diferença de energia desses dois estados. Se um átomo absorver um fotão, em seguida, a sua energia eletrónica será aumentada pela energia do fotão e o átomo estará num estado de energia excitado. Um átomo num estado de energia excitado pode emitir espontaneamente um fotão e agora vai passar para um estado de energia eletrónica mais baixo ou o estado fundamental de energia. A energia do fotão emitido é igual à diferença de energia entre o estado excitado e os estados eletrónicos mais baixos. A emissão espontânea a partir do estado excitado de um átomo pode ocorrer na ausência de radiação incidente. Na emissão induzida, ou estimulada, um átomo no estado excitado interage com um campo eletromagnético, causando uma transição eletrónica a partir do estado de energia excitado para o estado de energia mais baixo e a diferença de energia entre os dois estados é transferida para o campo eletromagnético. O fotão criado no processo é idêntico em frequência, fase, polarização e direção de propagação aos fotões do campo incidente.

Einstein considerou um conjunto de átomos em equilíbrio térmico. Assumiu um processo com estados de energia superiores e inferiores e transições entre estes através da absorção ou emissão de um fotão cuja energia é igual à diferença de energia entre os dois estados. O número de átomos no estado superior e mais baixo são constantes. Em condições de equilíbrio térmico, o número de átomos por unidade de tempo que absorve radiação será o mesmo que emite radiação.

Einstein distinguiu dois tipos de transições. A primeira é quando a emissão de radiação ocorre na ausência de influências externas. Fez a analogia à lei de Rutherford de decaimento radioativo. Em termos modernos, este é o processo de emissão espontânea, que ocorre quando não há radiação externa presente, e é caracterizado pelo “Coeficiente A de Einstein”. O fotão resultante pode ser emitido em todas as direções de propagação. O segundo tipo de transição é devido à interação entre os átomos e radiação incidente. Einstein assumiu que o efeito da radiação incidente é proporcional à densidade de radiação e provoca a transição entre os estados. Einstein assumiu o princípio da reversibilidade microscópica, que afirma que a taxa de transferência de energia de estados inferiores para estados superiores deve ser igual que a partir de estados superiores para estados inferiores, para qualquer transferência. Einstein considerou necessário que a ocorrência do processo de emissão estimulada, para os níveis de energia de um átomo em equilíbrio com o campo de radiação, fosse dada pela distribuição de Boltzmann e fosse consistente com a lei da radiação de Planck. Se o coeficiente de Einstein para a emissão estimulada (coeficiente B de Einstein) fosse zero, não haveria uma distribuição de Boltzmann para estados em equilíbrio térmico. No equilíbrio térmico, o número de átomos que absorvem energia deve ser igual ao número que perde energia. Deduziu que as probabilidades de absorção e emissão induzida são iguais. Os coeficientes de Einstein são independentes da densidade da radiação.

Einstein sugeriu intuitivamente que os coeficientes A e B poderiam ser calculados caso uma nova versão da eletrodinâmica e da mecânica estivesse disponível, o que está de acordo com a hipótese quântica (uma nova mecânica quântica). Esta previsão foi cumprida em 1927, quando Dirac usou sua versão da mecânica quântica para determinar num artigo o coeficiente B de Einstein e num segundo artigo o coeficiente A de Einstein (emissão espontânea).

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Generación de un supercontínuo en una fibra de cristal fotónico. Cortesía de J. Dudley, Presidente del Comité Directivo del Año Internacional de la luz 2015.

A verificação experimental do conceito de emissão estimulada de Einstein surgiu várias décadas depois de Einstein o ter previsto teoricamente. Bertolotti postula uma explicação para este atraso no seu artigo: Porque é que o laser foi inventado tão tarde? (ICO Newsletter 82, enero 2010)  Em 1954, Gordon, Zeiger, e Townes inventaram o maser (amplificação de micro-ondas por emissão estimulada de radiação), que funcionava na região das micro-ondas. Em 1960, Theodore H. Maiman produziu emissão estimulada num cristal de rubi como um componente do primeiro laser. O Prémio Nobel de Física de 1964 foi compartilhado por Charles H. Townes, Nicolay G. Basov e Aleksandr M. Prokhorov pelos seus trabalhos independentes sobre o laser.

Portanto, permanece a questão: O que é a luz? Einstein concebeu o fotão como um estado do campo eletromagnético com uma frequência ν, um vetor de onda k, uma energia , e um momento ħk. É uma partícula com massa em repouso de zero, tem um spin, e pode ter dois estados de polarização. Em 1924, Einstein escreveu: “os resultados positivos da experiência de Compton provam que a radiação se comporta como se consistisse em projeteis de energia discretos, não só no que diz respeito à transferência de energia, mas também no que diz respeito à transferência de momento.” Então, depois de todos esses anos, nós voltamos às afirmações: “Radiação… comporta-se como... consiste em...”. Não questões sobre, O que é a luz? mas, sim, Como é que a luz se comporta? Apesar de não termos respondido à pergunta original inicial, a nossa compreensão crescente da luz trouxe beleza às nossas vidas e transformou o nosso mundo.

Obrigado pela luz.

Barry R Masters, Independent Scholar, Cambridge, MA, USA

 

Traducido por Manuel Filipe Pereira da Cunha Martins Costa, Universidade do Minho, Portugal

 



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El  Profesor Barry R. Masters es Doctor  del Weizmann Institute of Science, Israel, MS de Florida State University, y BS del Polytechnic Institute of Brooklyn. Profesor Masters ha  fue un científico visitante en el Departamento de Ingeniería Biológica, en el Instituto de Tecnología de Massachusetts, un profesor visitante en el Departamento de Historia de la Ciencia en la Universidad de Harvard, profesor visitante del Departamento de Oftalmología de la Universidad de Berna, y un profesor en Anatomía y Biología celular de la Universidad de Servicios Uniformados de las Ciencias de la Salud. Es miembro de la Asociación Americana para el Avance de la Ciencia (AAAS), la Sociedad Americana de Óptica (OSA), el SPIE. De 1999 a 2000 profesor de maestría fue un AAAS Congreso de Ciencias e Ingeniería Fellow y sirvió como Asistente Legislativo en el Congreso de los Estados Unidos. Recibió el Premio de Investigación Oftalmológica Vogt (Mayor Premio Suizo de Investigación en Oftalmología) con el Dr. Böhnke en 1999 por su trabajo sobre: "Microscopía Confocal de la Córnea". El Profesor Masters ha publicado 86 artículos de investigación arbitrados y 143 del libro capítulos y artículos procedimientos Él es el editor o el autor de 10 libros: Técnicas de diagnóstico no invasivo en Oftalmología; microscopía confocal y microscopía multifotónica excitación:.. la génesis de imágenes de células vivas; Manual de Microscopía Óptica Biomédica no lineal (con Peter So) que está escribiendo un nuevo libro que será publicado por Cambridge University Press: SuperResolution óptica Microscopía:. la búsqueda de la resolución mejorada y Contraste Da conferencias en todo el mundo en la conducta responsable de la investigación, la ética biomédica, el pensamiento crítico, y la fotónica biomédica.


 

International Commission for Optics

Bureau members (2014-2017):

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A. M. Guzmán

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William T Rhodes, Florida Atlantic University, USA.